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16 de fevereiro de 2012 - atualizado as 17:09

Prédios no lugar de árvores: o que nos ensina o Manauara Shopping

Ronaldo Pereira Santos

A luta entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental é antiga e atinge a todos os setores. Já se vão quatro anos de inauguração do Manauara Shopping, em Manaus. Seria o investimento mais “ecológico” ou verde, que se tem na capital amazonense.

Na época a iniciativa levantada muitas dúvidas: seria construído em um dos poucos fragmentos de floresta no meio de uma porção urbana da cidade. Logo, faz-se sentido a discussão sobre as preocupações sustentáveis da obra.

Aqui neste espaço, escrevemos a opinião à época “Capital versus Ambiental:  a (i) lógica do Shopping no lugar de árvores” (leia aqui). Havia a preocupação de se estabelecer um fato com pouca lógica: na capital da Amazônia se abria espaço para construções com viés econômico em detrimento aos cuidados ambientais.

A construção, como se previra naquele momento, traria maior fluxo de veículos às já afogadas avenidas, pioraria ainda mais o acesso para o principal posto de atendimento emergencial da cidade e, por fim, lapidaria a área de grande interesse ambiental – uma dos últimos fragmentos florestais que restou da grande Manaus, que se ergue em prédios cada vez mais altos.

As críticas que surgiram, à época, pela sua construção, se confirmaram? Não foi o que se viu.

O que são as obras verdes

Primeiro vamos às preliminares. Os investimentos modernos obrigam-se a estarem antenados com as novas preocupações ambientais. As crianças no ensino básico já sabem disso. No jargão da construção civil e da arquitetura ambiental, estas construções são prédios ou obras onde se aproveitam ao máximo a luz solar para gerar energia ou mesmo reduzir gastos com eletricidade; usam água de chuva “reciclada”; buscam utilização de menos madeira etc.

No caso dos Shoppings Centers – estes grandes centros de compras não poderiam ficar fora. Muitos deles passaram a trazer o conceito de “verdes” para atender ao novo clamor dos consumidores preocupados com a questão.

Diga-se, alias, que a maior parte das pessoas que utilizam estes locais são da Classe com mais acesso à informação – o que explica, em tese, as preocupações ambientais. Estes empreendimentos não poderiam ficar de fora.

A percepção do povo e os resultados

A construção do Manaura Shopping de fato houve um aumento no trânsito na região. Mas foi menor daquele previsto para causar problemas. A proposta de se utilizar as árvores deixadas no local integrando-as à arquitetura do shopping foi bem vinda. Um bosque quase dentro do prédio trouxe o ar de prédio com cara de quintal.

Com estas inovações, do ponto de vista das pessoas as dúvidas não prosperaram. Há elogios sobretudo a este bosque do Shopping; pessoas de fora dizem “não terem visto idéia parecida em suas cidades de origem”.

As preocupações com rumores de rachaduras na estrutura e super-estrutura do prédio em 2010 parece não ter prosperado. Empregos gerados, mais um espaço de lazer e entretenimento.

Há melhorias que ainda podem surgir: melhor uso da água dos banheiros, demonstração de que há reciclagem do lixo usado diariamente nas lojas, enquadramento do empreendimento em algum selo ambiental (como a ISO 14.001).

A construção de mais um novo centro de compras na cidade promete fazer tudo isso e ir além. O centro, construído na Ponta Negra e com previsão de termino para 2013. A área é igualmente frágil, ambientalmente falando. Mas, até agora, há poucas informações sobre propostas sustentáveis, novos formatos de uso dos recursos naturais.

A luta entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental pode nos ensinar como melhor agir em cenários futuros. Dá pra se conceber, sim, empreendimentos que visam o lucro com o clamor popular por práticas mais “verdes”. Basta seguir as cartilhas do ramo.

 

Sobre o autor
Ronaldo Pereira Santos
Nascido na Bahia é Engenheiro Agronômo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Pós graduado em Gestão Ambiental e mestre em Ciências de Florestas Tropicais, INPA, Manaus. Colabourou com pesquisas via CNPq e pelo MMA. Atualmente é Servidor Público Federal e consultor independente em: gestão rural e ambiental, avaliação de imóveis rurais e de ativos/passivos ambientais, recuperação de áreas degradadas, licenciamento e avaliação de impacto ambiental. LEIA os outros artigos em: http://www.portalamazonia.com.br/blogs/author/ronaldosantos/
» Comentários
karim
2012-02-25 19:29:25
Responder

O fato é que terminando a “época das invasões populares dos sem teto” estimuladas por forças ocultas nossa cidade vislumbra esse tempo “mágico”de grandes construções e que por coincidência ou não usam os mesmos palcos (as áreas verdes da cidade) porém com atores diferentes (ricos e de capacete de engenheiros do sul do país e de todo canto possível), legalmente financiadas e legalmente liberadíssima pelos órgãos ambientais e pelo poder publico municipal...dá vontade de rir, porque chorar não adianta. Olhando o mapa urbano da cidade de 8 anos atrás víamos áreas onde eram proibidas as construções, neste governo atual nos mesmos mapas, vemos prédios no lugar das árvores como você comentou e vemos tubulações de esgotos e aterramentos nos lugares dos igarapés.Para ilustrar melhor: residencial parque do mindú, residencial paradise River no dom Pedro e muitos outros. Gritos de protestos abafados pelo barulho dos tratores, Manaus segue para o futuro melhor (resta saber melhor pra quem???).Muita fé gente!!

Ronaldo Pereira Santos
2012-02-25 20:52:41
Responder

Parabéns pela percepção! Ótimo comentário!

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