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06 de agosto de 2012 - atualizado as 17:19

Menos dinheiro, mais floresta

Ronaldo Pereira Santos

Menos dinheiro no mercado é fator direto para menos desmatamento na Amazônia? Esta é a tendência que se vislumbra ao passo que se acirram as crises econômicas. Pelo menos em tese.

A primeira observação que se fez sobre este fenômeno se deu no primeiro ano pós Plano Real: com a economia em franca estabilização os mercados passaram a ampliar a oferta de crédito e, por conseqüência, ocorreu o maior desmatamento na série histórica (veja aqui).

A explicação se deve ao fato de que, na região amazônica os principais elos de desenvolvimento econômico passam pela agropecuária, madeira, mineração e – em menor proporção – indústria (essencialmente em Manaus).

Destes setores apenas a indústria amazonense não depende do uso direto de recursos naturais primários (terra, floresta…). Os demais vivem diretamente do  aquecimento econômico; assim,  naturalmente teremos mais uso da terra e, claro, mais desmatamento.

O papel dos bancos

Desde 2008 os mercados vivem sob crise. Bancos, financeiras e governos dependem de dinheiro para circular a economia e, assim, fomentar os mais diversos projetos.

Os bancos – financiadores dos projetos agropecuários e florestais – injetam mais recursos se tiverem em caixa. Mas não têm sido assim nos últimos anos: falta grana nos cofres pelos problemas econômicos sofridos em outros países. O Brasil não é imune.

Ademais, há uma clara opção do governo federal por incentivos à indústria (a que mais tem visibilidade e gera mais empregos que o setor primário – agricultura). Assim, se tem alguma graninha extra vai para o setor de transformação de produtos.

Algo que tem mudado nos últimos anos é a barreira colocada pelos bancos no quesito ambiental. Por decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) empréstimos agora são condicionados à exigências das leis ambientais (por exemplo, ter que cumprir exigências do órgão ambiental local).

Desmatamento caindo…

O desmatamento tem sido menor nos últimos anos (leia aqui). Desde 2004 há uma queda. Mas há relação com a crise? Vejamos. Se fizermos uma comparação com os indicadores econômicos não haveria relação, afinal a crise nos mercados de capitais só ocorreu a partir de 2008.

Por outro lado, a falta dinheiro nos mercados arrefeceu os investimentos e empréstimos logo pode ter sim contribuído para tal tendência. Tanto que a maior queda se deu logo após a crise.

A outra parte da explicação da queda nos desmatamentos se deve ao fator políticas públicas. Bem verdade que ainda timidamente, mas algumas ações do Governo Federal – complementadas por algumas estaduais – têm resultado em menos árvores caídas.

Tendências e futuro

Falar em tendência nunca é fácil. Pelos números podemos, contudo, arriscar que o cenário de pouco dinheiro circulando e o baixo crescimento econômico deve estimular menos desmatamento.

Por outro lado, as políticas públicas devem ser continuadas. Ademais, há de se verificar o peso que destas ações de controle do desmatamento no nível de vida das pessoas que aqui vivem: afinal não adianta reduzir a pressão ambiental se não há retorno social para as pessoas. Elas não entenderão sua importância e, pior, podem sentir saudadades do “status quo”  de antes: o desmatamento.

 

 

Sobre o autor
Ronaldo Pereira Santos
Nascido na Bahia é Engenheiro Agronômo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Pós graduado em Gestão Ambiental e mestre em Ciências de Florestas Tropicais, INPA, Manaus. Colabourou com pesquisas em projeto do CNPq/Ministério do Meio Ambiente (MMA). Atualmente é Servidor Público Federal e consultor para: gestão rural e ambiental, avaliação de imóveis rurais e de ativos/passivos ambientais, recuperação de áreas degradadas (PRAD), licenciamento e avaliação de impacto ambiental. LEIA os outros artigos em: http://www.portalamazonia.com.br/blogs/author/ronaldosantos/
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