A repetição da frase de um comercial imobiliário na Paraíba, de que “Luiza está no Canadá”, o sucesso da música e letra de autoria duvidosa com a frase “Ai se eu te pego”, baboseiras e cenas de sexo degustadas por milhões de telespectadores num reality show, onde a realidade que deveria ser retratada, mostra apenas baixarias, frivolidades e insignificâncias e seus participantes viram estrelas e faturam milhões.
Este é o Brasil de hoje, que além desta inércia mental vem adquirindo um acervo tecnológico dos mais avançados em corrupção, bandalheira e incompetência.
Na realidade, o estágio alcançado configura pós-graduação em nível de doutoramento, fruto do ingente esforço de um grupo bem selecionado de especialistas. E é isto que vem, já há algum tempo, alimentando nosso povo, incluindo aí jovens, adultos, professores, escritores, profissionais liberais. Povo que cada dia mais rasteja no pântano da ignorância e da futilidade.
Uma sociedade desinformada, bestializada. Povo que é transportado através da telinha e vive a novela como se o seu papel nesta vida não fosse real. Esta alienação está muito viva de várias formas entre nós. Parece que o inverno de nossa desesperança (com o perdão de Steinbeck), será longo demais. Temos nas escolas, centenas de empertigados universitários sem preparos, saídos de um sem número de novos colégios, cursinhos e faculdades particulares fundados, afundando de dinheiro os cofrinhos de seus respectivos empresários do ensino.
De heróis não se tem conta. Para se ter um exemplo, um jogador de futebol que faz um gol nos minutos finais e o seu time empata ou ganha uma partida – vai ter a glória do fim de semana, mas será constantemente lembrado quando outro repetir a mesma façanha. São heróis de toda qualidade.
Aqui tudo se falsifica, de remédios a pedidos e há inúmeros casos, de falsificações falsificadas. É, no sentido lato e generalizando só um pouco, somos um povo de ladrões. Até dar dinheiro a instituições de caridade a gente dá com um pé atrás, porque volta e meia aparecem casos de gente que enriqueceu com a grana que recebia para os necessitados. Parece chato bater na mesma tecla mas nossa educação é péssima, haja vista a avaliação de desempenho de estudantes.
Não há também nenhum motivo para supor que o baixo desempenho dos estudantes não se repita, igualzinho, em outros setores da sociedade. Estudantes não são uma entidade separada e distinta, mas uma fatia, uma amostra do bolo. Os índices de burrice seriam muito provavelmente os mesmos se a comparação fosse entre empregados da indústria.
É razoável conjeturar que os índices comparativos de incompreensão de leitura não seriam muito diferentes se a avaliação não fosse entre estudantes, mas entre políticos, jornalistas, professores universitários – ou profissionais da escrita. Há nas páginas do noticiário editorial uma galeria de patetas mais ou menos alfabetizados que passam por escritores. Este é nosso Brasil.
Perfeito! Sou o dramaturgo com maior número de prêmios nacionais do ministério da cultura, mas não sou um campeão de mídia. Isto me leva a crer que, nestes tempos da futilidade fashionista, o importante não é o sentido estético-conteudístico da obra, mas o marketing homogeneizado e idiotizante.
Tudo começa no Planalto (MEC) e rasteja por esse Brasil, das Tvs,Futebol,Alcool e Cartão Esmola.