Vivemos recente semana do meio ambiente, ao mesmo tempo o ano do desenvolvimento sustentável (Rio+20). Não faltaria assunto para pôr em pauta quando das questões ambientais.
Mas algo chama atenção na Amazônia – e mais ainda no Amazonas: as grandes enchentes dos rios. As informações que aparecem nos últimos trinta dias dão conta de um mundo que parece “se acabar” em água: casas, ruas, plantações e animais submersos. Problemas mais surgem com a descida dos rios (doenças e outros oriundos da lama e lixo que ficarem).
De fato houve um grande aumento no nível dos rios. As chuvas – sobretudo das cabeceiras dos rios da Amazônia – contribuíram para um avanço rápido das cheias. Mas não se justifica o exagero que vimos pairar na Tv e nos jornais. Estaria a Amazônia toda alagada?
O exagero e a audiência
O fato é que os rios amazônicos exageram no ano de 2012. Ponto: cidades inteiras chegaram a submergir (bem verdade que pequenas cidades, mas houve o fenômeno) e vilas foram evacuadas. Mas nem tudo é o que de fato possa parecer.
Contudo, percebe-se um exagero ao retratar a situação na mídia. Voltamos à velha extrapolação do real quando retratamos a região; aquilo que há muito se via como exótico, a idéia do mundo distante, de uma região de outro pais. A mata que mata.
Não à toa que um brasileiro que acompanha a notícia da mídia terá a noção de que todo o Amazonas (ou toda a cidade de Manaus) está sob água. Há, claramente, um aumento na lente da realidade.
As imagens dos casebres de madeira dividindo espaço com as águas barrentas assusta a quem não conhece. Nada mais natural. Estaria toda Manaus sob água? Perguntou-me um amigo do Sul. Enganou-se com as imagens espantosas.
As explicações
A única explicação que podemos achar no exagero se deve, em parte, ao fato de querer trazer preocupação, mostrar a realidade, atrair simpatia à causa daqueles sofridos: se há calamidade talvez se possa correr atrás mais rápido da solução; obtêm mais solidariedade, doações…
Mas, o outro caminho vai pela audiência fácil. Ver pessoas sob condições de extremo perigo – ainda que triste – é fato atrativo. Há curiosidade natural das pessoas quando se pensa em analisar situações de alto risco. E os meios de comunicação aproveitam para nadar nesta onda.
Vestindo-se do manto do “dever de informar” procuram, pinçam e encontram as situações mais tristes. O dever de informar, diga-se, foi exagerado. Pessoas sofreram com as enchentes recordes deste ano, mas não, Manaus não estava inteira sob água.
Dá para morar noutro lugar?
Alguém pode ainda se perguntar porque viver nestas áreas se se sabe que podem ser inundadas. Ora, de fato parece lógico. Mas a lógica perde sua essência quando lembramos que o amazônida, o ribeirinho típico, o caboclo, tem sua vida baseada na proximidade dos rios.
Nela tiram sustento, usam água para quase tudo e – na parte triste da historia – usam-na, também com repositório de resíduos. Não vão sair destas áreas, ainda que pressionados.
A ciência e as cheias
Alias, retirar estas pessoas destes locais parece óbvio, mas não tão fácil. As iniciativas já tentadas mostram resultados tímidos, ainda que positivos para a realidade. A remoção das famílias com alto risco é medida urgente .
O que nos parece correto são as medidas preventivas e planejadas. E a utilização da ciência como fator de mudança é o caminho. Já se te noticias, com boa precisão, sobre a que nível o rio chegará com antecedência de ao menos semanas (veja aqui).
Os grandes rios (Amazonas, Purus, Negro, Madeira e Solimões) já possuem aparato tecnológico de medição e previsão de cheias. Devemos usá-las mais. Ainda titubeamos quando os dados são expostos.
Assim, usar mais ciência e menos propaganda midiática certamente ajudará com mais eficiência.