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25 de julho de 2012 - atualizado as 06:43

A Poluição Visual de Manaus

Flávio Lauria

Aproveitando o momento de campanha para Prefeito, sugerimos aos candidatos que insiram em seu programa de governo, uma questão que tange os domínios da estética: A poluição visual da cidade. Manaus deveria seguir os exemplos de São Paulo e Rio de Janeiro, no que diz respeito a poluição visual da qual somos vítimas passivas, tornando-se um fenômeno cada vez mais assustador. Ante os fatos, seus efeitos.

Na Avenida Djalma Batista e Constantino Nery, para não falar da Zona Leste, escancara-se para o cidadão comum, a poluição visual da qual é vítima, sem o menor pudor por parte de quem a provoca.

A inobservância de regras municipais, ratificando a tese de que em Manaus, até boi pode voar,maximiza o desconforto urbano causado pelo excesso de publicidade. Há quem possa pensar como autoritarismo, populismo, exagero. Mas na verdade é zelo pela moral e bons costumes, cumprimento da lei, defesa do patrimônio público, intervenção na cidade.

A lista de argumentos favorecendo uma avaliação ou outra pode ser consideravelmente acrescida com novas visões e perspectivas nada desprezíveis. Precisamos dar um basta nisso. Somos bombardeados a cada centímetro que desviemos o olhar por mais um estímulo nos incitando ao consumo.

E, muitas vezes com o aval de apenas alguns, como no caso dos prédios de apartamentos que cedem suas laterais e coberturas para instalação de propagandas. Assim, condomínios concebidos por pessoas sensíveis e esclarecidas ou prédios símbolos da cidade são literal e invariavelmente utilizados pela indústria da propaganda muitas vezes de gosto duvidoso, transformando o espaço público do olhar em algo muito próximo de um pardieiro.

O estabelecimento, cumprimento e manutenção de normas públicas que organizem o espaço público do olhar, considerando prioritariamente o cidadão, cultivando uma ecologia urbana aprazível, poderia ser um proveitoso desdobramento para todos, ou pelo menos, para a grande maioria. Ações mínimas de órgãos municipais podem ser efetivas sem a necessidade de desembolso imediato de verbas: averiguação da legalidade de tais atitudes; cumprimento das leis vigentes; promoção de eventos que estimulem reflexões sobre o espaço urbano; formulação de novas normas para utilização do espaço do olhar público.

Não nos esqueçamos que outros sentidos como a audição e o olfato são objeto de estudos considerando a poluição sonora e o comprometimento do ar que respiramos, quer pela descarga de gazes poluentes quer simplesmente pelo hábito dos fumantes. O campo visual, por conseguinte, também seria um espaço que a todos diz respeito e interessa.

A retirada de alguns outdors teria um melhor visual, tanto  para a população que aqui mora como para os que nos visitam. Uma coisa talvez possamos afirmar: ele é sintomático da necessidade que cada um e todos temos de dizer vários bastas, há muito parados em nossas gargantas.

Sobre o autor
Flávio Lauria
Professor Universitário com Pós Graduação em Administração Pública e Mestrado em Administração Geral.Consultor de Empresas formado pela UNICAMP/SP;Ocupou vários cargos em empresas Públicas e Privadas dentre eles:Gerente de Recursos Humanos da Tubozin da Amazônia S/A;Diretor Administrativo Financeiro do IEBEM;Subsecretário e Secretário Municipal de Administração;Mais de 850 artigos escritos, versando sobre temas como Educação, Política, Atualidades.É membro da Academia Amazonense de Escritores. Escreve ás quintas-feiras no jornal Em Tempo, no blog do Carlos Branco e no Portal Amazônia.
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