Comida e ar puro. Dois temas caros e cada vez mais em ascensão nos grandes fóruns e debates mundiais. Aliás, dizem que nós brasileiros somos sortudos nestes quesitos.
Então,qual o peso que tem a forma que tratamos a produção de alimentos e o cuidado com os recursos ambientais no papel do serviço público ligado a estes setores? Ao que vimos, recentemente parece que pouco ou nenhum peso. Explico.
Tomemos como ponta-pé inicial a greve do serviço público federal. As discussões que se seguiram na mídia nos últimos dois meses tiveram como carro chefe a suposta irresponsabilidade de parte dos grevistas (alguns veículos generalizam o tema sem fazer distinção de ideologia e de reivindicações).
A vala comum
Tal abordagem levou o tema à vala comum da discussão apenas em torno de mais salário. Não qualificamos o debate; não fomos a fundo; não discutimos as notas de roda-pé. E se fôssemos, será que haveria audiência? Talvez não.
Os super-salários, por exemplo, apresentados pela revista Época, e por Veja (Edição de 22/08/2012) mostram apenas a fina capa do problema. Rediscutir os mega-salários sim parece boa estratégia, mas tanto dos astronômicos quando dos minguados.
Melhor: se vamos falar em serviço público, talvez caiba pensar na possibilidade de acabar com serviços que diretamente tem relação com a disponibilidade de ar puro e comida. Mudaríamos o foco?
IBAMA e INCRA
Parcialidade à parte, interessante notar que dois grupos de servidores que atuam diretamente naqueles dois itens básicos da vida (comida e ar puro) pouco tiveram espaço: O INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e o IBAMA – Instituto Nacional de Meio Ambiente. Alto lá! gritaria alguém. o IBAMA não estava na greve. Bem, chegaremos lá.
Aliás, o brasileiro médio – na maioria – desconhece o papel destes dois órgãos. Já é um sintoma desanimador. Vale então um resumo: enquanto o primeiro cuida da estrutura fundiária das terras e, em última análise da forma que produzimos comida, o IBAMA é responsável pela execução da política ambiental brasileira.
Falando em IBAMA…Bem verdade que não entrou no movimento paredista (de greve). Mas dada a sua estreita relação com a política agrária e agrícola dá para traçar, se em greve estivesse faria diferença ao grande público?
A mídia é o que vende?
A verdade é que pouco vimos (se houve alguma coisa) de debates à respeito do papel destes dois órgãos no cenário estratégico do pais. Não parece supérfluo e menos estratégico falar em alimentos, água limpa, medicamentos e biodiversidade.
Justiça seja feita ao no site Observatório da Imprensa. Nela pudemos verificar opiniões de todos os lados, destacamos, entre muitos “a cobertura das greves”.
Neste quesito um amigo jornalista logo tratou de lembrar que mídia vive do que vende. Falar de comida e questão ambiental ainda não pegou, reitera o amigo. Ah, mas é mais que vendável quando se retrata o setor policial e tributário nas primeiras páginas.
Também parece lógico que somente será notícia se discutir que os servidores querem salários astronômicos ou que estão desrespeitando a população. Humm, está explicado então parte da posição da mídia.
Vamos mais a fundo. A irresponsabilidade e a fome por salários não explica tudo. Somente parte dos servidores tem contra-cheques que, talvez, não justifique aumento nos valores solicitados para o momento. A grande maioria está com problemas seriíssimos de estrutura da carreira, redução de quadro e falta de estimulo.
A opinião pública sem opinião?
A opinião pública tem melhorado seu gosto crítico ou piorado? Dizem os especialistas que o povo é reflexo do que lê, ouve e assiste na imprensa. Será?
Se mal conseguimos discutir temas caros à nossa vida cotidiana como aquela que garante a comida na mesa ou dos recursos ambientais talvez não valha a pena discutir outras coisas.
Policia, salário, violência e imposto são temas caros ao cidadão que paga seus impostos. Contudo, não é igualmente caro discutir os rumos que queremos para a segurança alimentar e a qualidade de vida.
Comida e ar puro. Dois temas caros e cada vez mais em ascensão nos grandes fóruns e debates mundiais. Temos que começar a discutir isso no Brasil.
É um excelente tema, á muito que se discutir sobre , se não pelo menos nos fazer refletir. Boas colocações. Parabéns!