MACAPÁ – Elas são mulheres de idades diferentes, mas com a mesma paixão pelas palavras e pela escrita. Seja em prosa ou verso, as escritoras ganham cada vez mais destaque no meio literário amapaense. Em homenagem ao Dia da Escritora, comemorado em 25 de Junho, o Amazônia Mulher, listou quatro escritoras que se destacam no Amapá.
Andreza Gil
Aos 16 anos, Andreza Gil se prepara para o lançamento da coetânea Poesia na Boca da Noite. Os poemas da escritora-mirim serão publicados na coleção. Andreza escreve desde os 10 anos. Apesar da pouca idade, ela descreve o sentimento de forma profunda.
Na quarta série do Ensino Fundamental, Andreza participou da Olimpíada de Língua Portuguesa, obtendo o 2º lugar a nível estadual. A estudante conta que sempre contou com o incentivo da família e dos professores. “Tive uma professora, ainda no ensino fundamental, que me fez participar de muitos projetos literários, o que aguçou a minha vontade por escrever. Hoje, essa é minha maior paixão”, diz.
Andreza ainda não tem blog ou site para a publicação dos textos, mas adianta que tem projeto para a construção de um blog ainda este ano. Ele conclui a conversa ressaltando que “ser escritora é saber escrever com as palavras o que a vida e o mundo me oferecem”.
Lara Utzig
Dona de um dos blogs de literatura mais acessados de Macapá o Mensagem Efêmera, Lara Utzig, 19, é considerada uma das promessas da literatura amapaense. Em contato com a escrita desde os 8 anos de idade, escreveu o primeiro poema para um concurso da escola, o que rendeu a primeira publicação.
Lara segue um estilo que varia entre o clássico e o moderno. “Vou desde sonetos até versos livres. Mas minha principal temática é a efemeridade de tudo, e o tempo como senhor da vida”, conta.
Atualmente, a escritora estuda Letras para aprimorar os conhecimentos na área literária. Lara já teve trabalhos publicados em duas coletâneas, a Jovens Poetas de Lajeado e, recentemente, no Concurso Novos Poetas, promovido pela editora Vivara.
“Para mim, a meta de todo escritor é livrar-se da fera que guarda dentro de si, e o ardor de todo leitor é descobrir que sua fera alguém mais é capaz de sentir. Acho que isso resume minha concepção de ser escritora: interagir com o leitor, despertar os mesmos sentimentos que tive ao escrever com quem está lendo. Essa reciprocidade me encanta”, confessa Lara Utzig.
Aline Monteiro
“A poesia me libertou a partir do momento que comecei a me entregar a ela”, declara Aline Monteiro. Em contato com os livros e a leitura desde criança, começou a escrever aos 14 anos. Hoje, aos 26, é formada em Letras e dona do blog Outros Carnavais.
Aline ainda não lançou um livro, mas este ano três publicações, sendo uma nacional vão publicar os poemas da escritora. Ela conquistou o 9º lugar no concurso nacional de poesia do blog Autores SA.
Para Aline, escrever é viajar em um barco chamado imaginação. “Já escrevi mais de 200 poemas. É o gênero que me deixa muito à vontade para variar e brincar com as formas e com as ideias. É o gênero que me cabe e que me transborda”, explica.
A escritora define o que ser poeta: “Escrevo primeiramente para mim. Mas, depois que publico um poema, esse já não me pertence mais. A minha escrita é a minha visão, a minha resistência, a minha defesa, meu travesseiro, meu porto porque só me faz bem”.
Junto com outros apaixonados pela literatura, Aline formou o grupo “Poema de Quinta”, que promove sarais mensais abertos ao público.
Carla Nobre
Carla Nobre é uma das escritoras mais conhecidas do Amapá. Com longa estrada pelo caminho das palavras, concilia a vida de mãe, professora, conselheira de cultura e escritora. Recentemente lançou o livro “O Amor é Urgente”.
A escritora teve um poema selecionado como leitura do vestibular 2011 da Universidade Federal do Amapá (Unifap). “A oportunidade possibilitou ampla divulgação da minha obra, o que favorece leitores e futuros compradores e, principalmente, o reconhecimento do meu trabalho”, ressalta.
Carla tem contato com a escrita desde os 11 anos, por meio de poemas e diários – os quais ela ainda guarda. No Ensino Fundamental, recebeu uma medalha como mérito pela redação sobre o trânsito na cidade. Mas somente em 2001, começou a organizar, digitar e rever o processo de escrita. “Escrevo sobre o que quero, o que sonho, o que desejo, o que me aborrece. Meu estilo é obedecer ao que quero escrever. Também não tento ficar obedecendo a uma norma, a um modelo”, revela.
Vencedora de concursos literários nacionais e participante de coletâneas amapaenses, Carla sempre recebeu incentivos tanto de familiares como de amigos e professores, o que a levou a dedicar parte do trabalho à literatura.
A escritora deixar claro que se aborrece quando alguém se recusa a pagar pelas obras. “É como se não valesse um bem a ser comprado, mas um favor. Quero leitores sim, mas quero leitores que possam conhecer e valorizar o talento de vários autores amapaense. Ser escritora não é fácil. E essa minha atuação também carrega a atuação da declamadora que existe dentro de mim e que descobre sempre várias maneiras de dizer melhor do que eu as verdades que existem dentro de mim e dos meus autores favoritos”, finalizou.
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